Resgatando as nossas partes e devolvendo as que não nos pertencem

Resgatando as nossas partes e devolvendo as que não nos pertencem

Durante a nossa vida, na qual vamos tecendo relações, vivendo experiências, vivenciando encontros e despedidas (assim como reencontros), nós doamos e recebemos.

Somos seres complexos, temos várias facetas, não somos apenas uma única coisa. Tanto é que a percepção que os outros têm de nós varia muito de pessoa para pessoa. E é claro que isto tem muito a ver com o interior destas pessoas, mas isto é outra história. Falar aqui de projeções, identificações ou da teoria da relatividade fugiria do tema que quero abordar: a doação involuntária de aspectos de nós mesmos.  Continuemos com um exemplo.

Eu tenho amigos que me acham uma pessoa engraçada. Já outros não vêm, de jeito nenhum, este traço em mim. Outro exemplo, em uma época da minha vida, ouvi no mesmo dia um amigo me considerar “meio avoada”, enquanto outro dizia que me achava muito prática.

Isto já nos mostra que o importante é confiarmos naquilo que somos – que não é pouca coisa – e não darmos tanta importância ao que pensam de nós. Difícil tarefa? Sim, mas usando a lógica e fortalecendo nossa identidade, e consequentemente nossa autoestima, chaga-se lá.

Bom, falando objetivamente das doações involuntárias, o fato é que vamos deixando pedaços de nós com as pessoas com quem nos relacionamos. E muitas vezes estes pedaços vão embora junto com estas pessoas.

Enquanto estamos nos relacionando, este pedaço, esta parte, ainda nos pertence. Mas quando não temos mais esta relação – e ela se resume a qualquer tipo – muitas vezes o outro leva esta parte de nós, sem percebermos. É como um pequeno roubo de parte de nossa identidade, de nosso ser.

Isto também pode acontecer com pessoas que ainda mantemos contato. Mas mudamos, e o outro também. A relação muda e, de repente, percebemos que, há muito tempo, uma parte nossa não nos pertence mais.

Só que esta parte, por mais que tenhamos mudado, é vital para a nossa integridade. Ela é um aspecto da nossa personalidade, e, muitas vezes, da nossa própria essência. Como resgatá-la então? Bom, primeiro temos que ter a consciência de que perdemos um pedaço nosso e ele nos faz falta. Depois precisamos saber a quem o doamos, quem foi que o levou. Próximo passo, entender o motivo pelo qual o deixamos ir. Último passo: resgatá-lo.

Para resgatá-lo podemos usar técnicas de visualizações. Concentrar-se na pessoa que detém sua parte, chamar essa parte, pedir que ela volte para você – sua parte, não a pessoa, que pode ainda estar presente na sua vida. Procure visualizar a sua parte como uma energia que se desprende do outro e volta para você, mas tenha certeza de que é a sua parte, chame-a.

Você deve estar se perguntando se não detém partes de outras pessoas também. É claro que sim, e muitas vezes são partes que não te fazem bem. Você pode fazer o mesmo processo ao contrário. Perceber que partes que não são suas que você detém, de quem são, por que estão com você – aqui você pode encontrar muitas crenças que te limitam e que de fato não são suas. Mande-as de volta a quem elas pertencem e trabalhe também conscientemente tentando se livrar delas, percebendo que elas não fazem parte da sua natureza.

Outras pessoas também podem te ajudar a resgatar suas partes. Pessoas que vão te propiciar situações, eventos ou sentimentos, que fazem você se lembrar desta parte sua, que está tão longe… Aproveite estas oportunidades para resgatar esta parte novamente, para despertá-la novamente dentro de você, pois sempre há uma sementinha que ela deixou no seu interior. E mesmo longe, ela ainda está ligada a você, nem que seja por um fio tênue de energia, pois esta parte lhe pertence.

A vida é uma troca, damos e recebemos em nossas relações, só não podemos ser roubados de nós mesmos e nem roubar o outro. Receber uma parte nossa que foi perdida – ou roubada – é revigorante, nos dá a sensação de nascermos de novo, e isto mostra o quanto este nosso pedaço nos fazia falta. Estávamos incompletos, não porque o outro foi embora, mas porque ele levou uma parte nossa.

Anna Leão (Favor mencionar autoria e fonte ao reproduzir este artigo.)

Passado, presente, futuro… Onde você está?

Passado, presente, futuro… Onde você está?

Ontem recebi um vídeo que se intitulava “Para matar a saudade – túnel do tempo”. Talvez você o tenha recebido também. Ele vem com a trilha sonora de várias músicas de algumas décadas atrás (anos 70, se não me engano), e com imagens de várias lembranças daquela época: produtos, programas de TV (Túnel do Tempo, por exemplo), etc. No final da apresentação, uma mensagem: “A saudade é a maior prova de que o passado valeu a pena”

Com certeza, isto pode ser uma grande verdade. Mas comecei a refletir sobre aquele vídeo… Será que naquela época dávamos tanto valor àquelas coisas como depois que elas se foram?

Ter saudade é bom quando temos um sentimento positivo nesta saudade, quando nos lembramos do que passou com alegria, e não porque não conseguimos fazer o nosso presente melhor do que o nosso passado. Temos que ter cuidado com esse excesso de saudosismo, pois ele pode fazer com que fiquemos mais no passado do que no presente. Ele pode fazer ficarmos parados no tempo. Tem muita gente que se alimenta do passado, que lamenta a época que se foi. Precisa-se estar atento a isto. É importante estarmos inteiros no presente e com os olhos no futuro, e não no passado.

A vida anda pra frente. Ela é movimento contínuo. Se não a acompanhamos, ficamos para trás. Procurar viver o presente da melhor forma possível, e com um vislumbre otimista do futuro, é a forma mais saudável e próspera de viver. Quando falo vislumbre otimista do futuro, falo em se ter metas, objetivos (de qualquer natureza) e estarmos trabalhando neles a partir do hoje. A vida é construção, e só se pode construir o que está por vir e não o que já passou.

Sei que há muitos que preferem o mundo de antigamente ao mundo atual. Eu mesma me imagino melhor vivendo num filme de época, e não numa ficção científica, por exemplo. Tem muita gente que reclama do excesso de tecnologia, de comunicação… Sim, aquela época era mais gostosa, mais calma. Mas eu seria ingrata se não reconhecesse as portas que a tecnologia me abriu. As oportunidades e os ganhos que a internet, por exemplo, me deu e me dá. A facilidade que a comunicação global atual me proporciona. Agora mesmo, quem estaria lendo este meu texto, se não fosse tudo isto? Eu estaria angustiada, em casa, querendo me expressar, com ânsia de colocar as minhas ideias, pensamentos e sentimentos para o mundo, através da minha escrita, e não teria um canal tão rápido e eficiente. Já me vi assim… No início dos anos 90.

O importante é sabermos tirar o melhor de cada momento presente, aproveitar as oportunidades que cada situação nos revela e nos proporciona. Isto é saber viver. Pois em tudo na vida, e em todas as épocas, há os prós e os contras. E o sábio é aquele que não se lastima, simplesmente segue em frente.

Voltando ao vídeo que recebi, ficou claro perceber que as coisas do passado que eu mais gostava, presentes naquela mostra, não eram insubstituíveis. Adorava as músicas, mas depois vieram outras melhores, e continuam vindo, é só saber procurar. Lojas como a Mesbla, existem um monte por aí.  (O que são os shoppings se não uma Mesbla superdimensionada?) E as balas Soft … Bem, não sou mais criança, né?

Vamos tentar fazer do nosso presente o melhor momento de nossas vidas. Afinal, como é bem falado por aí, o nome já diz: ele é um presente. Um presente da vida, do universo. Por mais difícil que esteja seu momento presente, saiba que você pode mudá-lo. Olhar para o futuro com esperança vai ajudar nisto. Olhe para o horizonte e crie metas, objetivos; veja seus sonhos realizados no futuro, e trabalhe no presente para materializá-los. Do passado, traga a experiência e a alegria dos bons momentos vividos.

Se o mundo atual não está muito bom para você, não se preocupe, faça a sua parte. Uma sociedade é formada por indivíduos. Se todos estiverem bem, produzindo e felizes, teremos um mundo melhor. Somos como pequenas células em um organismo gigante. Se cada um for responsável pelo seu presente, poderemos criar um futuro que valha a pena. Faça e viva o seu melhor hoje, o mundo agradece.

Anna Leão (Favor mencionar autoria e fonte ao reproduzir este artigo)

O Calor do inverno

O Calor do inverno

O Solstício de Inverno traz a noite mais longa do ano. A partir daí o sol começa a ganhar força, bem devagarinho e aos poucos. O frio é cortante, o tempo é de introspecção, quietude, silêncio e meditação.  Nos sentimos mais serenos e imóveis, com vontade de nos transformarmos em ursos para termos direito de ficarmos na toca, na caverna, por mais tempo do que o mundo externo permite.

Quem se conecta aos ciclos da natureza, como um praticante do paganismo, por exemplo, sente com mais intensidade esta época do ano. Melhor ainda, percebe-a melhor e a compreende. Muitas vezes parece que tudo para  e fica suspenso; esperando um melhor momento, esperando a próxima estação, que não vem se manifestar somente a partir do Equinócio da Primavera, mas sim, quando esta começa a se anunciar, através do calor do sol, que timidamente aparece, e do degelo – nos países mais frios – que começa a ocorrer. Esta época é o Imbolc, que acontece no início de agosto no Hemisfério Sul.

Mas estamos agora adentrando o inverno, marcado por menos energia solar e mais energia da Terra, que está em seu ápice.  Imbolc ainda está por vir e podemos aproveitar este momento de quietude e interiorização para nos conectarmos com nossa luz interna, a fim de fazê-la brilhar no momento certo, quando o inverno começar a dar os seus primeiros passos rumo a sua jornada no outro Hemisfério.

De nada adianta querermos nos sentir como no verão, por exemplo.  É uma questão de energia reinante. Equinócios e Solstícios são portais de energias. Se nos conectamos com elas, tudo flui de modo harmônico, como são os ciclos da natureza. Mas se começamos a nos atropelar, a nos forçar, acabamos por nos desconectar de nós mesmos, correndo o risco de adoecermos ou ficarmos desequilibrados. Devemos ter atenção, pois infelizmente o mundo atual nos exige uma constância artificial que vai contra os ciclos naturais.

O inverno é momento oportuno para um trabalho de autoconhecimento através de mergulhos profundos em nós mesmos, porém de uma forma suave, prazerosa.  Podemos fazer isto de várias formas como através de meditações, jornadas xamânicas, contato com nosso animal de poder e aliados, oráculos e o que mais a sua criatividade lhe sugerir. Por falar nela, ela está bem de saúde, está mais lânguida, mas presente, e vai se manifestar de uma forma mais diáfana, podemos dizer assim, o que às vezes, pode até ser melhor.

O Solstício de Inverno , no entanto, nos traz uma mensagem de esperança, pois aos poucos e gradativamente, a luz vai aumentando na Terra. Com isto, aproveitamos para nos curarmos e despertarmos nossa criança interior.

Como na lua minguante, o inverno é momento de limpeza, cura e transformação. Porém, é diferente, pois ele anuncia o crescimento da luz solar. Isto nos dá uma sensação de preenchimento e plenitude, diferente do que acontece na lua minguante que ruma para o vazio.

Quando conectados a nós mesmos, neste período do ano, por mais frio que esteja lá fora, sentimos o aconchego proveniente do calor de nossa luz interior. E com o passar dos dias desta estação, ao mesmo tempo em que a luz solar vai ganhando força, a nossa luz interna também vai se intensificando, anunciando o nascimento de um novo ciclo.

Anna Leão (Favor mencionar autoria e fonte ao reproduzir este artigo).

Nota: Em 2017, o Solstício de Inverno acontece, no Hemisfério Sul, no dia 21 de junho.

Pessoa gostosa

Pessoa gostosa

O que te faz estar na companhia de alguém? Por que você é amigo de fulano, gosta de ciclano, admira beltrano? Bom, os três podem ser a mesma pessoa também… De umas décadas para cá, a sociedade visa cada vez mais o status, o poder e a fama, para não falar do dinheiro que está ligado principalmente aos dois primeiros. Com tudo isto, a maioria se preocupa em estar na companhia de pessoas que “fazem e acontecem”, e elas mesmas procuram “fazer e acontecer” para serem bem vistas e bem quistas. Mas será que tudo isto faz sentido realmente? Precisa mesmo de tanta pose?

 

Com todas estas exigências só estamos reforçando uma sociedade superficial, descartável e altamente competitiva. Você realmente gosta de viver numa sociedade assim? Será que lá no fundo é isto mesmo que vai deixar as pessoas felizes? Duvido muito, até porque sei que a felicidade é um estado de ser e independe do externo. Muitas vezes esse externo confunde mais do que qualquer coisa; se você não estiver centrado… Já viu!

 

Para gostar de alguém, querer estar na companhia de alguém, é verdadeiramente importante que esse alguém seja isso ou aquilo? Ou melhor, faça isso ou aquilo? Hoje em dia, infelizmente, se dá mais importância ao fazer do que ao ser, e quando falo em ser, falo de essência, e não de fulano ser advogado, ou médico, ou artista, por exemplo. Falo de alma!

 

Acho que o que realmente importa em relação a uma pessoa é você se sentir bem com ela. É o verdadeiro gostar, e claro, essa pessoa ser verdadeiramente legal com você. Uma amiga minha definiu isto muito bem com a expressão “pessoa gostosa”. “Sabe aquela pessoa gostosa, que é gostoso estar junto…”, disse ela. Sem nenhuma conotação sexual ou comestível, esta expressão se dirige àquela pessoa com quem você tem prazer de estar, simplesmente porque dá gosto estar com ela. É o ser da pessoa, seu jeito, seu astral, que conquista você. Independe do que ela faz ou deixa de fazer, de que cargo ocupa, se ocupa algum cargo, etc. Essa pessoa pode não ser bonita, pode pensar completamente diferente de você, pode ter mil defeitos, mas ela te cativa. A energia dela faz você se sentir bem, você gosta de estar com ela porque, ora, ela é uma pessoa gostosa!

 

Perceba isso na sua vida. Você tem realmente prazer na companhia das pessoas com quem você convive? Falo daquele prazer autêntico, relaxante, inebriante, preenchedor, que também entusiasma, mas sem deixar eufórico, pois aí vira droga. Não falo de barganhas, nem no que a pessoa pode lhe oferecer a nível mundano; falo de companheirismo, de amizade, de carinho, de respeito e de encantamento (bem diferente de deslumbramento).

Diga-me, quantas pessoas gostosas você tem na sua vida? Espero que muitas!!!

Entrando na caverna

Entrando na caverna

Entrarmos em nossa própria caverna periodicamente é de vital importância. Nossa caverna é o nosso refúgio e também o nosso interior mais profundo. Lá é o local do autoconhecimento. É ali que nos encontramos com nós mesmos, nossas particularidades, nossa identidade, nossa ancestralidade, nossa autenticidade.

Ninguém pode ser autêntico se não está em contato com sua própria caverna, com o seu íntimo.

Aquele livro, “Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus”, afirma a necessidade dos homens de entrarem na caverna. Mas um livro escrito totalmente dentro da ótica patriarcal e mundana não percebe que as mulheres também têm esta mesma necessidade de estarem em suas próprias cavernas também.

Aliás, este tipo de literatura está sempre colocando a mulher como uma chata e o homem como um ser livre, sem a noção de como também é vital para a mulher a liberdade. Talvez a liberdade almejada pelo homem seja a de ir e vir. Já a da mulher, é a liberdade de ser, e com esta, ela poderá escolher ir ou ficar, fazer ou não fazer.

Mas a mulher que não mantém um contato permanente com a sua caverna não percebe esta necessidade de ser livre, pois não atinge o seu íntimo e fica a mercê do que o externo dita para ela como comportamento normal a ser seguido.

A mulher já é a própria caverna, mais uma razão para um contato íntimo com este lugar sagrado, repleto de mistérios, de sentimentos profundos e descobertas.

Mergulhando em nossa própria caverna, tanto mulher quanto homem achará  tesouros perdidos, assim como traumas escondidos, mas que precisam ser reconhecidos, para serem curados.

Dentro de nossa própria caverna saberemos, realmente, no que acreditamos, o que queremos, quem somos. Saberemos como agir, como nos colocar, como nos fazer ouvir. Saberemos ocupar com dignidade nosso lugar no mundo.

Mergulhar de tempos em tempos no interior de nossas cavernas nos coloca em contato com nosso lado mais visceral, selvagem, natural. Isto é vital, pois somos seres naturais.

Como ir para a sua caverna? Existem muitos caminhos, muitos transportes também. Só você vai poder saber. Talvez alguns momentos por dia de reflexão já seja o suficiente, ou a ajuda de um bom livro que o faça mergulhar em você mesmo…

O importante é que depois do primeiro contato com sua caverna, você a visite regularmente. E a cada visita explore-a mais, pois sempre há coisas novas que não foram vistas antes.

Também é na sua caverna que você percebe o que não te pertence, o que não faz parte de você, o que é dos outros e não seu. Você, então, transmuta todos esses resíduos tóxicos que te contaminam e te aprisionam.

O contato com sua caverna vai te dar força para você ser você mesmo nas situações mais difíceis. Ser você sempre! E você perceberá que não existe satisfação maior, prazer melhor, do que ser você mesmo, mesmo que para isto tenha que caminhar sozinho, sozinho não, pois você estará preenchido de seu próprio ser. E com certeza encontrará outros na mesma sintonia.

Anna Leão (Favor mencionar autoria e fonte ao reproduzir este artigo).

 

Maternidade

Maternidade

A comemoração do Dia das Mães está chegando e trago para vocês as minhas reflexões sobre a maternidade.

Não acho que toda mulher deva ou queira ser mãe. Acho que existem vários tipos de vidas, de mulheres, de produções e criações. Eu, pessoalmente, sempre quis ser mãe. Tenho um lado maternal muito forte. Desde pequena sonhava em ter muitos filhos. Acabei que tive duas filhas e as criei sem um pai presente. Sendo bem sincera, digo que nunca me importei com isto.

Eu vejo a maternidade como uma missão. Algo que, infelizmente, está desvalorizado, banalizado, e muitas vezes deturpado. Neste mundo atual, que precisamos tanto fazer e acontecer, ser só mãe não dá status. Mas a energia que despendemos, o tempo de que  precisamos para sermos uma mãe presente e atuante na educação e criação de nossos filhos, sem falar na responsabilidade que é, e a satisfação que dá, já justifica uma existência. A saber, a nossa, que somos mães.

Nós produzimos, criamos, ensinamos, nos preocupamos, cuidamos, nutrimos, brincamos, brigamos, sentimos diversas emoções com e por nossos filhos, e ainda por cima, amamos. Não está bom? Precisa de mais para sermos valorizadas como pessoas, como indivíduos?

Claro que temos interesses próprios, e eles variam de mulher para mulher, tanto a quantidade, como o tipo desses interesses. Precisamos também de tempo e espaço para nós (Ah… E como eu preciso!). Porém nada disso impede a maternidade, nem a maternidade impede tudo isso. O que precisamos é nos conhecermos bem, saber até onde podemos ir. Conhecermos os nossos limites e decidirmos se dá para ser a Mulher Maravilha ou não. Aliás, não me lembro dela com filhos; para falar a verdade, de nenhum super-herói. Será que isto quer dizer alguma coisa? Pensemos…

Acho que não existe um tipo ideal de mãe. Cada mulher vai ser mãe do seu jeito, de acordo com a sua própria natureza. Abaixo os estereótipos e rótulos. Agora, o que é preciso é estar inteira no que se faz, em tudo, inclusive, na maternidade. Falo isto porque me choca profundamente ver mães de meninas pequenas, com bom padrão de vida, que reclamam que vão entrar de férias, puramente porque este fato implica que passarão todo tempo com suas filhas. Outras dizem que não conseguem ser mães 24 horas por dia; e as poucas horas que estão fazendo um programa com suas meninas, estão com cara de tédio. Por que as trouxeram ao mundo? Para agradar ao marido, `a família, à sociedade, ou simplesmente, porque queriam mostrar que são mulheres completas?

Tanta coisa está envolvida neste contexto, que se a gente for se aprofundar mais na questão, vamos encontrar mulheres perdidas em si mesmas e no mundo. Fruto de uma sociedade com valores tão disparatados e truncados que confunde a todos. Ninguém é uma coisa só, muito menos se consegue ser apenas uma coisa por 24 horas todos os dias. A questão é como o assunto é abordado: com uma frase clichê negando a importância e o prazer da maternidade.

O que fazer então? Penso que se aprofundar em si mesma, buscar o autoconhecimento e a própria verdade interior. Conhecer suas verdadeiras vocações. Eu, particularmente, acho isto tão prazeroso! Conhecer nossos verdadeiros anseios, os nossos próprios sentimentos, os nossos próprios talentos e potenciais. E antes de tudo, não nos preocuparmos com as aparências e sim com o que realmente nos traz satisfação.

Você pode ser uma excelente mãe de uma forma não convencional. Quando falo em ser excelente, entra aqui a dedicação e o prazer, pois não podemos ser excelentes em nada que não nos dê prazer. E quando temos prazer nos dedicamos. Você só precisa buscar a forma que combine com você para exercer plenamente a maternidade.

Sonhei muitas coisas para a minha vida, uma delas foi ser mãe. Este sonho eu consegui concretizar. Ainda continuo sonhando muitas outras coisas e pretendo também realizá-las. E percebo que não teria espaço na minha vida, nem tempo, nem mesmo energia, para concretizar tudo que sonhei de uma vez só. Algumas áreas ficariam capengas, porque não dá pra ser tudo, pelo menos, não ao mesmo tempo. Hoje, mais madura, percebo que, contanto que me realize, prefiro estar inteira em poucas coisas, do que ser tudo pela metade.

Por Anna Leão (Favor mencionar autoria e fonte ao reproduzir este artigo)

A MULHER NA JANELA

A MULHER NA JANELA

VOCÊ JÁ OLHOU O CÉU ESTRELADO E TE DEU VONTADE DE SAIR VOANDO? ADORO CHEGAR A MINHA JANELA, À NOITE, E OLHAR O CÉU; ÀS VEZES ESTRELADO, ÀS VEZES COBERTO DE NUVENS… E A LUA? LINDA E MAJESTOSA QUANDO CHEIA.  LUA DOURADA, REFLETINDO O BRILHO DO SOL, POIS SÓ ASSIM CONSEGUIMOS VÊ-LO SEM DOER NOSSOS OLHOS.

SINTO VONTADE DE ALÇAR VOO E COMO LAMENTO NÃO PODER VOAR. MUITAS VEZES TENHO A ESPERANÇA DE QUE VOU SAIR LEVITANDO E ME IMAGINO PLANANDO E SUBINDO RUMO ÀS ESTRELAS. IMAGINO ISTO TÃO BEM QUE SINTO A SENSAÇÃO NO MEU CORPO, NA MINHA ALMA.

TAMBÉM GOSTO DE OLHAR O CÉU TÃO AZUL DO DIA. E HOJE, DE REPENTE, DEPAREI-ME COM ELA. LÁ ESTAVA MINHA AMIGA, MINHA IRMÃ, MINHA MÃE LUA, EM SEU QUARTO CRESCENTE, SE CONFUNDINDO COM AS NUVENS TÃO BRANCAS. ESTOU VENDO-A DAQUI DA MINHA JANELA, ME CONVIDANDO A SORRIR E A SONHAR, NESTA TARDE TÃO LINDA.

QUER MAIS INSPIRAÇÃO DO QUE A NATUREZA PODE DAR? DIFÍCIL…

NÃO PRECISA DE MUITO PARA SE SENTIR EM PAZ, SERENA, FELIZ. A NATUREZA TRAZ A MAGIA DA VIDA, O DESCANSO NECESSÁRIO. É TÃO BOM CONTEMPLÁ-LA…

SE VOCÊ ESTÁ UM POUCO DEPRIMIDA, CONTEMPLE UMA MONTANHA – QUE EU VEJO DAQUI DA MINHA OUTRA JANELA – E SE SENTIRÁ MAIS CENTRADA, MAIS FIRME E MAIS FORTE.

ESTÁ MUITO ANSIOSA, AGITADA? CONTEMPLE O MAR QUE ELE TE ACALMA.

QUER RELAXAR, VIAJAR?  MONTE NA SUA VASSOURA E VAMOS VOAR JUNTAS PERTO DO CÉU, DAS NUVENS, DA LUA E DAS ESTRELAS.

AH! E AQUELES LINDOS RAIOS E SEUS CLARÕES NO CÉU, EM UM DIA DE TEMPESTADE? EU ADORO! APROVEITE-OS PARA COLOCAR UM POUCO DE EMOÇÃO E INTENSIDADE NA SUA VIDA QUANDO ESTIVER PRECISANDO DE UM ESTÍMULO MAIOR.

QUANTO PRAZER COM A NATUREZA… QUANTA SATISFAÇÃO ELA PODE ME DAR! COM CERTEZA É MELHOR DO QUE UM SHOPPING CENTER.

QUER SE CARREGAR, QUER DESCARREGAR? A MÃE NATUREZA OFERECE TODAS AS OPÇÕES. NÃO SE ESQUEÇA, ELA É MÃE! ELA É A TERRA, ELA É O COSMOS! ELA É TODO O UNIVERSO!

OH! ACABO DE RECEBER A VISITA DE UM BEIJA-FLOR. NESTE INSTANTE… FALO SÉRIO! DESTA VEZ ELE NÃO ENTROU, MAS ÀS VEZES ELES ENTRAM NO MEU QUARTO. ONDE MORO? AQUI MESMO EM BOTAFOGO, NA CIDADE MARAVILHOSA, NO RIO DE JANEIRO. MAS CONSIGO APRECIAR A NATUREZA AO MEU REDOR. ELA ESTÁ EM TODA PARTE, AO NOSSO DISPOR, SÓ PRECISAMOS OLHAR PARA ELA.

EU SOU A MULHER NA JANELA.
E VOCÊ, JÁ VISITOU A SUA JANELA HOJE?

Por Anna Leão (Favor mencionar fonte e autoria ao reproduzir este texto.)

Nota: publicado originalmente em outubro de 2010, no blog Metamorfose.

Introspecção

Introspecção

Tem dias em que nos sentimos um pouco sem ânimo, sem entusiasmo. Parece que nos aquietamos, nos deprimimos. Mas não é depressão não. É simplesmente um estado de introspecção.

O que fazer quanto a isto? Absolutamente nada. Ou melhor, tentar respeitar este momento. Tentar se animar, lutar contra isto? Nem pensar… Fique na sua. Respeite o seu ser.

Por mais que você não saiba, há um bom motivo para você estar assim. Se entregue a esse momento, a esse estado de espírito mais quieto, mais introspectivo. Fique em silêncio… Muitas vezes é preciso.

Nem sempre dá para sairmos da turbulência do dia-a-dia quando estamos desta forma, e é exatamente quando mais sentimos a rotina como turbulenta. Não se desespere. Faça o que tem que fazer, mas não force a barra. O que der para deixar para depois, deixe. Diminua o ritmo e NÃO SE COBRE.

O mais importante é que você consiga um tempo só para você quando estiver assim. Isto é de vital importância porque o que você precisa nesses momentos é se aquietar e ficar sozinho.

Provavelmente quando você se sente desta forma é porque está precisando digerir algo, se descarregar, se harmonizar, se reciclar. Mesmo que você não saiba o motivo, seu inconsciente sabe, e é por isto que você está desse jeito.

Não tente analisar nada, só se deixe descarregar, só se deixe levar… Não tente sentir o que você não está sentindo. Busque situações que tenham a ver com esse seu estado, algo que vai fazer você se sentir bem, respeitando a maneira como está.

Logo você se sentirá melhor.  A sensação de estar deprimido vai passar e você se sentirá apenas introspectivo, o que é bem diferente. Em poucos dias você estará renovado, com pique e entusiasmo.

Esses são momentos para se trocar a televisão por um livro, músicas agitadas por músicas tranquilas (eu prefiro não ouvir nada quando estou assim). Não combina com computador, telefones, lugares cheios de gente.

Quando estiver nesse estado de espírito você pode aproveitar para ficar olhando pro “nada”, pintar, escrever, meditar, contemplar a natureza, bordar, fazer artesanato, ler, ficar embaixo das cobertas, enfim, algo de que goste e o coloque mais em contato com você mesmo.

Aprenda a ouvir o seu ser e a respeitá-lo. Aprenda que você pode ter diversos estados de espírito e que todos são válidos. É o fluxo e o refluxo acontecendo em seu ser, que está sempre em movimento, que se cicla e recicla,  cicla e recicla, cicla e recicla…

Por Anna Leão. (Favor mencionar autoria e fonte ao reproduzir este texto.)

Nota: Artigo publicado originalmente em 15 de fevereiro de 2009, no blog Metamorfose.

Fechando ciclos…

Fechando ciclos…

 

O que seriam dos começos se não fossem os finais? Quase sempre, para começarmos algo novo, precisamos promover um término. Precisamos largar, deixar ir, para podermos receber o novo. Para abrirmos um novo capítulo em nossas vidas, muitas vezes, é necessário deixar morrer.

Geralmente são corações que se partem, lágrimas derramadas e um sentimento de fracasso. Isto normalmente acontece nos finais de relacionamentos amorosos. Namoros, casamentos, casos, enfim, não importa; o importante, por mais que seja sofrido o término, é olhar com outros olhos para ele. Não com um sentimento de fracasso, mas de gratidão. Não houve fracasso e, sim, aprendizado. Houve maus e bons momentos, como em tudo na vida. Deu certo enquanto durou e é isto que importa.

Nada dura para sempre e, muitas vezes, quando dura é por comodismo, por medo, enfim, por motivos que não ajudam o crescimento, a expansão ou a fidelidade a nossa própria natureza. Diga-me: o que adianta ser fiel aos outros, se não formos fiéis a nós mesmos? Para sermos, realmente, fiéis a alguém, precisamos ser fiéis a nossa própria natureza. Pois se estamos mentindo para nós, estamos mentindo também para os outros. Por isto o autoconhecimento ser tão importante. Precisamos nos conhecer profundamente para sabermos, de fato, quem somos, o que queremos e quais os nossos valores reais. Assim não fingiremos ser o que não somos, não prometeremos o que não podemos cumprir e, seremos autênticos e transparentes.

Temos a visão romântica do que até a morte nos separe, reforçada por uma sociedade que quer nos formatar a todo custo. Por isso uma família quando se desfaz é motivo de comoção. Mas existem muitas formas de ter uma família, de fazer parte de uma. Assim como existem muitas pessoas que não são talhadas para formar uma família, pelo menos de forma convencional. E como essas pessoas sofrem! Como vivem em conflito tentando se encaixar em um papel que não combina com elas.

Mas este texto sobre finais não está restrito só ao término de relacionamentos amorosos. Delonguei-me um pouco nele porque para a maioria das pessoas isto machuca muito. Mas há várias formas  de finais de ciclos, tanto internos quanto externos. Se pararmos para pensar bem, veremos que em todas as mudanças significativas de nossas vidas há uma morte para haver um nascimento, ou mesmo, um renascimento. Quantas vezes precisamos largar uma profissão para podermos começar outra? Quando mudamos de cidade ou país, houve toda uma morte do estilo de vida que levávamos naquele lugar; uma morte de relacionamentos, contatos pessoais… E o novo se descortina em outro lugar, com nova energia, novas pessoas, novo modo de viver.

Para expandir é preciso deixar algo para trás, é preciso deixar morrer… Sejamos gratos por tudo que passamos, que aprendemos, que recebemos e tivemos a oportunidade de dar. Encaremos isso com um sorriso no rosto, uma leveza no coração e uma certeza de que um belo novo ciclo está por começar.

Por Anna Leão (Favor mencionar autoria e fonte ao reproduzir este artigo).

Atemporalidade

Atemporalidade

Ontem recebi o convite para o aniversário de uma amiga muito querida que completa trinta anos. No convite, ela colocava um trecho referente à famosa crise dos trinta. Mas em contrapartida dizia que o autor estava enganado e que devemos comemorar nossos trinta anos. Concordo com ela e acho que devemos celebrar sempre, qualquer idade, qualquer feito.

Sei que vivemos numa sociedade, sei que existe o inconsciente coletivo, e sei também que o que os astrólogos chamam de planetas exteriores demarcam estas chamadas crises: dos trinta, quarenta, cinquenta… Mas na verdade, os planetas exteriores em trânsito sempre demarcam fases, não propriamente crises, e isto acontece desde quando somos crianças.

Acredito que estas fases se revelam de forma muito distinta de um ser para o outro. E para muitos vão aparecer como oportunidades e não crises. Tudo é muito pessoal neste sentido. O que quero dizer, é que nunca comprei estas crises. Acho que isto é porque não fico me enquadrando em fases ou idades. Eu simplesmente sou, e vivo minha vida como sou e estou. Nunca penso, ou pensei: “Tenho 20 ou 30 ou 40 anos…”

Como disse anteriormente, vivemos em sociedade. Existem as pressões como consequência disto, assim como os modismos e a compra e venda de tudo, inclusive de ideias, comportamentos e crises. Nunca me liguei à idade, por isto acho que nunca vivenciei uma destas crises, pelo menos não da forma como é vendida. Também nunca fiquei pensando na idade que estaria chegando, e que eu teria que estar fazendo – ou não fazendo – isto ou aquilo.

Meu processo de autoconhecimento e de viver minha vida é independente da idade que eu tenha, e eu não sigo, porque não me interessa seguir, os ditames da sociedade. As fases da vida existem, mas acredito que se passe por elas de uma forma estritamente pessoal e em um tempo não tão demarcado assim.

Há beleza em cada fase da vida, assim como vantagens e desvantagens, como em tudo. Eu não encaro o tempo como um inimigo. Tenho minhas crises sim, assim como já as tive. Mas crises que sinto brotarem de dentro. Não crises que vêm de fora, insistindo em como eu deva me comportar, pensar ou sentir.

Nunca fui ligada à moda, talvez isto ajude. Assim como não me preocupo em estar usando o que as pessoas estão usando, também não me preocupo em fazer o que estão fazendo, sentir o que estão sentindo, pensar como estão pensando, nem vivenciar as crises que estão vivenciando.

Pois por mais que eu viva em sociedade e me relacione com os outros, sou um ser único com meus próprios gostos, pensamentos, sentimentos, desejos e comportamentos. Ninguém sabe o que é melhor para mim do que eu mesma. Não vou deixar de usar uma roupa que eu goste só porque não está na moda. Não vou amar de um jeito que não é o meu só porque todo mundo agora ama assim. E por isto não vou também antecipar crises que no fundo não fazem parte de mim.

Nunca me vi com estas questões: “E agora, tenho trinta anos?!” “Quarenta anos, o que vou fazer?”. Vivenciei sim: “Estou precisando mudar algumas coisas em minha vida”. “As coisas não estão tão boas como eu gostaria.” “Estou precisando desenvolver certos aspectos em mim mesma.” Tudo isto sem conexão com a minha idade cronológica, se é porque tenho 30 ou 40 anos. Porque isto sinceramente não me importa, não é relevante.

Não sou uma mulher moderna, também não sou uma mulher antiga, nem contemporânea, nem à frente do meu tempo. Sou uma mulher atemporal.

É interessante que tive uma luz outro dia. Olhando uma revista, num consultório médico, percebia o quanto de botox está sendo usado pelas pessoas e comecei a pensar nesta questão do tempo e da idade. Percebi como fico no meu centro, no meu eixo, em relação a isto tudo, e tive o insight de que quando a morte me levar, ainda estarei neste mesmo centro, inteira, observando tudo a minha volta…

 

Por Anna Leão. (Favor mencionar fonte e autoria ao reproduzir este texto).