Pessoa gostosa

Pessoa gostosa

O que te faz estar na companhia de alguém? Por que você é amigo de fulano, gosta de ciclano, admira beltrano? Bom, os três podem ser a mesma pessoa também… De umas décadas para cá, a sociedade visa cada vez mais o status, o poder e a fama, para não falar do dinheiro que está ligado principalmente aos dois primeiros. Com tudo isto, a maioria se preocupa em estar na companhia de pessoas que “fazem e acontecem”, e elas mesmas procuram “fazer e acontecer” para serem bem vistas e bem quistas. Mas será que tudo isto faz sentido realmente? Precisa mesmo de tanta pose?

 

Com todas estas exigências só estamos reforçando uma sociedade superficial, descartável e altamente competitiva. Você realmente gosta de viver numa sociedade assim? Será que lá no fundo é isto mesmo que vai deixar as pessoas felizes? Duvido muito, até porque sei que a felicidade é um estado de ser e independe do externo. Muitas vezes esse externo confunde mais do que qualquer coisa; se você não estiver centrado… Já viu!

 

Para gostar de alguém, querer estar na companhia de alguém, é verdadeiramente importante que esse alguém seja isso ou aquilo? Ou melhor, faça isso ou aquilo? Hoje em dia, infelizmente, se dá mais importância ao fazer do que ao ser, e quando falo em ser, falo de essência, e não de fulano ser advogado, ou médico, ou artista, por exemplo. Falo de alma!

 

Acho que o que realmente importa em relação a uma pessoa é você se sentir bem com ela. É o verdadeiro gostar, e claro, essa pessoa ser verdadeiramente legal com você. Uma amiga minha definiu isto muito bem com a expressão “pessoa gostosa”. “Sabe aquela pessoa gostosa, que é gostoso estar junto…”, disse ela. Sem nenhuma conotação sexual ou comestível, esta expressão se dirige àquela pessoa com quem você tem prazer de estar, simplesmente porque dá gosto estar com ela. É o ser da pessoa, seu jeito, seu astral, que conquista você. Independe do que ela faz ou deixa de fazer, de que cargo ocupa, se ocupa algum cargo, etc. Essa pessoa pode não ser bonita, pode pensar completamente diferente de você, pode ter mil defeitos, mas ela te cativa. A energia dela faz você se sentir bem, você gosta de estar com ela porque, ora, ela é uma pessoa gostosa!

 

Perceba isso na sua vida. Você tem realmente prazer na companhia das pessoas com quem você convive? Falo daquele prazer autêntico, relaxante, inebriante, preenchedor, que também entusiasma, mas sem deixar eufórico, pois aí vira droga. Não falo de barganhas, nem no que a pessoa pode lhe oferecer a nível mundano; falo de companheirismo, de amizade, de carinho, de respeito e de encantamento (bem diferente de deslumbramento).

Diga-me, quantas pessoas gostosas você tem na sua vida? Espero que muitas!!!

Entrando na caverna

Entrando na caverna

Entrarmos em nossa própria caverna periodicamente é de vital importância. Nossa caverna é o nosso refúgio e também o nosso interior mais profundo. Lá é o local do autoconhecimento. É ali que nos encontramos com nós mesmos, nossas particularidades, nossa identidade, nossa ancestralidade, nossa autenticidade.

Ninguém pode ser autêntico se não está em contato com sua própria caverna, com o seu íntimo.

Aquele livro, “Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus”, afirma a necessidade dos homens de entrarem na caverna. Mas um livro escrito totalmente dentro da ótica patriarcal e mundana não percebe que as mulheres também têm esta mesma necessidade de estarem em suas próprias cavernas também.

Aliás, este tipo de literatura está sempre colocando a mulher como uma chata e o homem como um ser livre, sem a noção de como também é vital para a mulher a liberdade. Talvez a liberdade almejada pelo homem seja a de ir e vir. Já a da mulher, é a liberdade de ser, e com esta, ela poderá escolher ir ou ficar, fazer ou não fazer.

Mas a mulher que não mantém um contato permanente com a sua caverna não percebe esta necessidade de ser livre, pois não atinge o seu íntimo e fica a mercê do que o externo dita para ela como comportamento normal a ser seguido.

A mulher já é a própria caverna, mais uma razão para um contato íntimo com este lugar sagrado, repleto de mistérios, de sentimentos profundos e descobertas.

Mergulhando em nossa própria caverna, tanto mulher quanto homem achará  tesouros perdidos, assim como traumas escondidos, mas que precisam ser reconhecidos, para serem curados.

Dentro de nossa própria caverna saberemos, realmente, no que acreditamos, o que queremos, quem somos. Saberemos como agir, como nos colocar, como nos fazer ouvir. Saberemos ocupar com dignidade nosso lugar no mundo.

Mergulhar de tempos em tempos no interior de nossas cavernas nos coloca em contato com nosso lado mais visceral, selvagem, natural. Isto é vital, pois somos seres naturais.

Como ir para a sua caverna? Existem muitos caminhos, muitos transportes também. Só você vai poder saber. Talvez alguns momentos por dia de reflexão já seja o suficiente, ou a ajuda de um bom livro que o faça mergulhar em você mesmo…

O importante é que depois do primeiro contato com sua caverna, você a visite regularmente. E a cada visita explore-a mais, pois sempre há coisas novas que não foram vistas antes.

Também é na sua caverna que você percebe o que não te pertence, o que não faz parte de você, o que é dos outros e não seu. Você, então, transmuta todos esses resíduos tóxicos que te contaminam e te aprisionam.

O contato com sua caverna vai te dar força para você ser você mesmo nas situações mais difíceis. Ser você sempre! E você perceberá que não existe satisfação maior, prazer melhor, do que ser você mesmo, mesmo que para isto tenha que caminhar sozinho, sozinho não, pois você estará preenchido de seu próprio ser. E com certeza encontrará outros na mesma sintonia.

Anna Leão (Favor mencionar autoria e fonte ao reproduzir este artigo).

 

Maternidade

Maternidade

A comemoração do Dia das Mães está chegando e trago para vocês as minhas reflexões sobre a maternidade.

Não acho que toda mulher deva ou queira ser mãe. Acho que existem vários tipos de vidas, de mulheres, de produções e criações. Eu, pessoalmente, sempre quis ser mãe. Tenho um lado maternal muito forte. Desde pequena sonhava em ter muitos filhos. Acabei que tive duas filhas e as criei sem um pai presente. Sendo bem sincera, digo que nunca me importei com isto.

Eu vejo a maternidade como uma missão. Algo que, infelizmente, está desvalorizado, banalizado, e muitas vezes deturpado. Neste mundo atual, que precisamos tanto fazer e acontecer, ser só mãe não dá status. Mas a energia que despendemos, o tempo de que  precisamos para sermos uma mãe presente e atuante na educação e criação de nossos filhos, sem falar na responsabilidade que é, e a satisfação que dá, já justifica uma existência. A saber, a nossa, que somos mães.

Nós produzimos, criamos, ensinamos, nos preocupamos, cuidamos, nutrimos, brincamos, brigamos, sentimos diversas emoções com e por nossos filhos, e ainda por cima, amamos. Não está bom? Precisa de mais para sermos valorizadas como pessoas, como indivíduos?

Claro que temos interesses próprios, e eles variam de mulher para mulher, tanto a quantidade, como o tipo desses interesses. Precisamos também de tempo e espaço para nós (Ah… E como eu preciso!). Porém nada disso impede a maternidade, nem a maternidade impede tudo isso. O que precisamos é nos conhecermos bem, saber até onde podemos ir. Conhecermos os nossos limites e decidirmos se dá para ser a Mulher Maravilha ou não. Aliás, não me lembro dela com filhos; para falar a verdade, de nenhum super-herói. Será que isto quer dizer alguma coisa? Pensemos…

Acho que não existe um tipo ideal de mãe. Cada mulher vai ser mãe do seu jeito, de acordo com a sua própria natureza. Abaixo os estereótipos e rótulos. Agora, o que é preciso é estar inteira no que se faz, em tudo, inclusive, na maternidade. Falo isto porque me choca profundamente ver mães de meninas pequenas, com bom padrão de vida, que reclamam que vão entrar de férias, puramente porque este fato implica que passarão todo tempo com suas filhas. Outras dizem que não conseguem ser mães 24 horas por dia; e as poucas horas que estão fazendo um programa com suas meninas, estão com cara de tédio. Por que as trouxeram ao mundo? Para agradar ao marido, `a família, à sociedade, ou simplesmente, porque queriam mostrar que são mulheres completas?

Tanta coisa está envolvida neste contexto, que se a gente for se aprofundar mais na questão, vamos encontrar mulheres perdidas em si mesmas e no mundo. Fruto de uma sociedade com valores tão disparatados e truncados que confunde a todos. Ninguém é uma coisa só, muito menos se consegue ser apenas uma coisa por 24 horas todos os dias. A questão é como o assunto é abordado: com uma frase clichê negando a importância e o prazer da maternidade.

O que fazer então? Penso que se aprofundar em si mesma, buscar o autoconhecimento e a própria verdade interior. Conhecer suas verdadeiras vocações. Eu, particularmente, acho isto tão prazeroso! Conhecer nossos verdadeiros anseios, os nossos próprios sentimentos, os nossos próprios talentos e potenciais. E antes de tudo, não nos preocuparmos com as aparências e sim com o que realmente nos traz satisfação.

Você pode ser uma excelente mãe de uma forma não convencional. Quando falo em ser excelente, entra aqui a dedicação e o prazer, pois não podemos ser excelentes em nada que não nos dê prazer. E quando temos prazer nos dedicamos. Você só precisa buscar a forma que combine com você para exercer plenamente a maternidade.

Sonhei muitas coisas para a minha vida, uma delas foi ser mãe. Este sonho eu consegui concretizar. Ainda continuo sonhando muitas outras coisas e pretendo também realizá-las. E percebo que não teria espaço na minha vida, nem tempo, nem mesmo energia, para concretizar tudo que sonhei de uma vez só. Algumas áreas ficariam capengas, porque não dá pra ser tudo, pelo menos, não ao mesmo tempo. Hoje, mais madura, percebo que, contanto que me realize, prefiro estar inteira em poucas coisas, do que ser tudo pela metade.

Por Anna Leão (Favor mencionar autoria e fonte ao reproduzir este artigo)

A MULHER NA JANELA

A MULHER NA JANELA

VOCÊ JÁ OLHOU O CÉU ESTRELADO E TE DEU VONTADE DE SAIR VOANDO? ADORO CHEGAR A MINHA JANELA, À NOITE, E OLHAR O CÉU; ÀS VEZES ESTRELADO, ÀS VEZES COBERTO DE NUVENS… E A LUA? LINDA E MAJESTOSA QUANDO CHEIA.  LUA DOURADA, REFLETINDO O BRILHO DO SOL, POIS SÓ ASSIM CONSEGUIMOS VÊ-LO SEM DOER NOSSOS OLHOS.

SINTO VONTADE DE ALÇAR VOO E COMO LAMENTO NÃO PODER VOAR. MUITAS VEZES TENHO A ESPERANÇA DE QUE VOU SAIR LEVITANDO E ME IMAGINO PLANANDO E SUBINDO RUMO ÀS ESTRELAS. IMAGINO ISTO TÃO BEM QUE SINTO A SENSAÇÃO NO MEU CORPO, NA MINHA ALMA.

TAMBÉM GOSTO DE OLHAR O CÉU TÃO AZUL DO DIA. E HOJE, DE REPENTE, DEPAREI-ME COM ELA. LÁ ESTAVA MINHA AMIGA, MINHA IRMÃ, MINHA MÃE LUA, EM SEU QUARTO CRESCENTE, SE CONFUNDINDO COM AS NUVENS TÃO BRANCAS. ESTOU VENDO-A DAQUI DA MINHA JANELA, ME CONVIDANDO A SORRIR E A SONHAR, NESTA TARDE TÃO LINDA.

QUER MAIS INSPIRAÇÃO DO QUE A NATUREZA PODE DAR? DIFÍCIL…

NÃO PRECISA DE MUITO PARA SE SENTIR EM PAZ, SERENA, FELIZ. A NATUREZA TRAZ A MAGIA DA VIDA, O DESCANSO NECESSÁRIO. É TÃO BOM CONTEMPLÁ-LA…

SE VOCÊ ESTÁ UM POUCO DEPRIMIDA, CONTEMPLE UMA MONTANHA – QUE EU VEJO DAQUI DA MINHA OUTRA JANELA – E SE SENTIRÁ MAIS CENTRADA, MAIS FIRME E MAIS FORTE.

ESTÁ MUITO ANSIOSA, AGITADA? CONTEMPLE O MAR QUE ELE TE ACALMA.

QUER RELAXAR, VIAJAR?  MONTE NA SUA VASSOURA E VAMOS VOAR JUNTAS PERTO DO CÉU, DAS NUVENS, DA LUA E DAS ESTRELAS.

AH! E AQUELES LINDOS RAIOS E SEUS CLARÕES NO CÉU, EM UM DIA DE TEMPESTADE? EU ADORO! APROVEITE-OS PARA COLOCAR UM POUCO DE EMOÇÃO E INTENSIDADE NA SUA VIDA QUANDO ESTIVER PRECISANDO DE UM ESTÍMULO MAIOR.

QUANTO PRAZER COM A NATUREZA… QUANTA SATISFAÇÃO ELA PODE ME DAR! COM CERTEZA É MELHOR DO QUE UM SHOPPING CENTER.

QUER SE CARREGAR, QUER DESCARREGAR? A MÃE NATUREZA OFERECE TODAS AS OPÇÕES. NÃO SE ESQUEÇA, ELA É MÃE! ELA É A TERRA, ELA É O COSMOS! ELA É TODO O UNIVERSO!

OH! ACABO DE RECEBER A VISITA DE UM BEIJA-FLOR. NESTE INSTANTE… FALO SÉRIO! DESTA VEZ ELE NÃO ENTROU, MAS ÀS VEZES ELES ENTRAM NO MEU QUARTO. ONDE MORO? AQUI MESMO EM BOTAFOGO, NA CIDADE MARAVILHOSA, NO RIO DE JANEIRO. MAS CONSIGO APRECIAR A NATUREZA AO MEU REDOR. ELA ESTÁ EM TODA PARTE, AO NOSSO DISPOR, SÓ PRECISAMOS OLHAR PARA ELA.

EU SOU A MULHER NA JANELA.
E VOCÊ, JÁ VISITOU A SUA JANELA HOJE?

Por Anna Leão (Favor mencionar fonte e autoria ao reproduzir este texto.)

Nota: publicado originalmente em outubro de 2010, no blog Metamorfose.

Introspecção

Introspecção

Tem dias em que nos sentimos um pouco sem ânimo, sem entusiasmo. Parece que nos aquietamos, nos deprimimos. Mas não é depressão não. É simplesmente um estado de introspecção.

O que fazer quanto a isto? Absolutamente nada. Ou melhor, tentar respeitar este momento. Tentar se animar, lutar contra isto? Nem pensar… Fique na sua. Respeite o seu ser.

Por mais que você não saiba, há um bom motivo para você estar assim. Se entregue a esse momento, a esse estado de espírito mais quieto, mais introspectivo. Fique em silêncio… Muitas vezes é preciso.

Nem sempre dá para sairmos da turbulência do dia-a-dia quando estamos desta forma, e é exatamente quando mais sentimos a rotina como turbulenta. Não se desespere. Faça o que tem que fazer, mas não force a barra. O que der para deixar para depois, deixe. Diminua o ritmo e NÃO SE COBRE.

O mais importante é que você consiga um tempo só para você quando estiver assim. Isto é de vital importância porque o que você precisa nesses momentos é se aquietar e ficar sozinho.

Provavelmente quando você se sente desta forma é porque está precisando digerir algo, se descarregar, se harmonizar, se reciclar. Mesmo que você não saiba o motivo, seu inconsciente sabe, e é por isto que você está desse jeito.

Não tente analisar nada, só se deixe descarregar, só se deixe levar… Não tente sentir o que você não está sentindo. Busque situações que tenham a ver com esse seu estado, algo que vai fazer você se sentir bem, respeitando a maneira como está.

Logo você se sentirá melhor.  A sensação de estar deprimido vai passar e você se sentirá apenas introspectivo, o que é bem diferente. Em poucos dias você estará renovado, com pique e entusiasmo.

Esses são momentos para se trocar a televisão por um livro, músicas agitadas por músicas tranquilas (eu prefiro não ouvir nada quando estou assim). Não combina com computador, telefones, lugares cheios de gente.

Quando estiver nesse estado de espírito você pode aproveitar para ficar olhando pro “nada”, pintar, escrever, meditar, contemplar a natureza, bordar, fazer artesanato, ler, ficar embaixo das cobertas, enfim, algo de que goste e o coloque mais em contato com você mesmo.

Aprenda a ouvir o seu ser e a respeitá-lo. Aprenda que você pode ter diversos estados de espírito e que todos são válidos. É o fluxo e o refluxo acontecendo em seu ser, que está sempre em movimento, que se cicla e recicla,  cicla e recicla, cicla e recicla…

Por Anna Leão. (Favor mencionar autoria e fonte ao reproduzir este texto.)

Nota: Artigo publicado originalmente em 15 de fevereiro de 2009, no blog Metamorfose.

Fechando ciclos…

Fechando ciclos…

 

O que seriam dos começos se não fossem os finais? Quase sempre, para começarmos algo novo, precisamos promover um término. Precisamos largar, deixar ir, para podermos receber o novo. Para abrirmos um novo capítulo em nossas vidas, muitas vezes, é necessário deixar morrer.

Geralmente são corações que se partem, lágrimas derramadas e um sentimento de fracasso. Isto normalmente acontece nos finais de relacionamentos amorosos. Namoros, casamentos, casos, enfim, não importa; o importante, por mais que seja sofrido o término, é olhar com outros olhos para ele. Não com um sentimento de fracasso, mas de gratidão. Não houve fracasso e, sim, aprendizado. Houve maus e bons momentos, como em tudo na vida. Deu certo enquanto durou e é isto que importa.

Nada dura para sempre e, muitas vezes, quando dura é por comodismo, por medo, enfim, por motivos que não ajudam o crescimento, a expansão ou a fidelidade a nossa própria natureza. Diga-me: o que adianta ser fiel aos outros, se não formos fiéis a nós mesmos? Para sermos, realmente, fiéis a alguém, precisamos ser fiéis a nossa própria natureza. Pois se estamos mentindo para nós, estamos mentindo também para os outros. Por isto o autoconhecimento ser tão importante. Precisamos nos conhecer profundamente para sabermos, de fato, quem somos, o que queremos e quais os nossos valores reais. Assim não fingiremos ser o que não somos, não prometeremos o que não podemos cumprir e, seremos autênticos e transparentes.

Temos a visão romântica do que até a morte nos separe, reforçada por uma sociedade que quer nos formatar a todo custo. Por isso uma família quando se desfaz é motivo de comoção. Mas existem muitas formas de ter uma família, de fazer parte de uma. Assim como existem muitas pessoas que não são talhadas para formar uma família, pelo menos de forma convencional. E como essas pessoas sofrem! Como vivem em conflito tentando se encaixar em um papel que não combina com elas.

Mas este texto sobre finais não está restrito só ao término de relacionamentos amorosos. Delonguei-me um pouco nele porque para a maioria das pessoas isto machuca muito. Mas há várias formas  de finais de ciclos, tanto internos quanto externos. Se pararmos para pensar bem, veremos que em todas as mudanças significativas de nossas vidas há uma morte para haver um nascimento, ou mesmo, um renascimento. Quantas vezes precisamos largar uma profissão para podermos começar outra? Quando mudamos de cidade ou país, houve toda uma morte do estilo de vida que levávamos naquele lugar; uma morte de relacionamentos, contatos pessoais… E o novo se descortina em outro lugar, com nova energia, novas pessoas, novo modo de viver.

Para expandir é preciso deixar algo para trás, é preciso deixar morrer… Sejamos gratos por tudo que passamos, que aprendemos, que recebemos e tivemos a oportunidade de dar. Encaremos isso com um sorriso no rosto, uma leveza no coração e uma certeza de que um belo novo ciclo está por começar.

Por Anna Leão (Favor mencionar autoria e fonte ao reproduzir este artigo).

Atemporalidade

Atemporalidade

Ontem recebi o convite para o aniversário de uma amiga muito querida que completa trinta anos. No convite, ela colocava um trecho referente à famosa crise dos trinta. Mas em contrapartida dizia que o autor estava enganado e que devemos comemorar nossos trinta anos. Concordo com ela e acho que devemos celebrar sempre, qualquer idade, qualquer feito.

Sei que vivemos numa sociedade, sei que existe o inconsciente coletivo, e sei também que o que os astrólogos chamam de planetas exteriores demarcam estas chamadas crises: dos trinta, quarenta, cinquenta… Mas na verdade, os planetas exteriores em trânsito sempre demarcam fases, não propriamente crises, e isto acontece desde quando somos crianças.

Acredito que estas fases se revelam de forma muito distinta de um ser para o outro. E para muitos vão aparecer como oportunidades e não crises. Tudo é muito pessoal neste sentido. O que quero dizer, é que nunca comprei estas crises. Acho que isto é porque não fico me enquadrando em fases ou idades. Eu simplesmente sou, e vivo minha vida como sou e estou. Nunca penso, ou pensei: “Tenho 20 ou 30 ou 40 anos…”

Como disse anteriormente, vivemos em sociedade. Existem as pressões como consequência disto, assim como os modismos e a compra e venda de tudo, inclusive de ideias, comportamentos e crises. Nunca me liguei à idade, por isto acho que nunca vivenciei uma destas crises, pelo menos não da forma como é vendida. Também nunca fiquei pensando na idade que estaria chegando, e que eu teria que estar fazendo – ou não fazendo – isto ou aquilo.

Meu processo de autoconhecimento e de viver minha vida é independente da idade que eu tenha, e eu não sigo, porque não me interessa seguir, os ditames da sociedade. As fases da vida existem, mas acredito que se passe por elas de uma forma estritamente pessoal e em um tempo não tão demarcado assim.

Há beleza em cada fase da vida, assim como vantagens e desvantagens, como em tudo. Eu não encaro o tempo como um inimigo. Tenho minhas crises sim, assim como já as tive. Mas crises que sinto brotarem de dentro. Não crises que vêm de fora, insistindo em como eu deva me comportar, pensar ou sentir.

Nunca fui ligada à moda, talvez isto ajude. Assim como não me preocupo em estar usando o que as pessoas estão usando, também não me preocupo em fazer o que estão fazendo, sentir o que estão sentindo, pensar como estão pensando, nem vivenciar as crises que estão vivenciando.

Pois por mais que eu viva em sociedade e me relacione com os outros, sou um ser único com meus próprios gostos, pensamentos, sentimentos, desejos e comportamentos. Ninguém sabe o que é melhor para mim do que eu mesma. Não vou deixar de usar uma roupa que eu goste só porque não está na moda. Não vou amar de um jeito que não é o meu só porque todo mundo agora ama assim. E por isto não vou também antecipar crises que no fundo não fazem parte de mim.

Nunca me vi com estas questões: “E agora, tenho trinta anos?!” “Quarenta anos, o que vou fazer?”. Vivenciei sim: “Estou precisando mudar algumas coisas em minha vida”. “As coisas não estão tão boas como eu gostaria.” “Estou precisando desenvolver certos aspectos em mim mesma.” Tudo isto sem conexão com a minha idade cronológica, se é porque tenho 30 ou 40 anos. Porque isto sinceramente não me importa, não é relevante.

Não sou uma mulher moderna, também não sou uma mulher antiga, nem contemporânea, nem à frente do meu tempo. Sou uma mulher atemporal.

É interessante que tive uma luz outro dia. Olhando uma revista, num consultório médico, percebia o quanto de botox está sendo usado pelas pessoas e comecei a pensar nesta questão do tempo e da idade. Percebi como fico no meu centro, no meu eixo, em relação a isto tudo, e tive o insight de que quando a morte me levar, ainda estarei neste mesmo centro, inteira, observando tudo a minha volta…

 

Por Anna Leão. (Favor mencionar fonte e autoria ao reproduzir este texto).

 

 

A eterna busca

A eterna busca

Há alguns anos eu reencontrei um amigo que não via há muito tempo. Depois de algumas conversas, ele me disse que me via sempre numa busca, que parecia que eu estava sempre buscando algo. Eu disse a ele que no dia em que não houvesse mais esta busca, não haveria mais porque existir. Mais recentemente, conversando com outro amigo, esse também me falou de busca; da sua busca pessoal, que ele não sabe do quê, mas que é o que o move incessantemente.

Essa busca, a meu ver, é algo constante. Ela significa vida, movimento, evolução. Acredito que ela possa se manifestar em qualquer área de nossas vidas, mas ela vem sempre de dentro, de nosso interior, talvez de nossa alma. Ela é uma pulsação que não cessa. É um chamado que nos leva a um passo a frente. É uma inquietude saudável, que nos dá prazer e a certeza de que estamos vivos. Ela é a promessa de que há bem mais para desbravar, para descobrir, para assimilar.

No meu caso, eu me sinto sempre como se estivesse subindo uma escada, ou descendo. É como se eu adentrasse um labirinto, ou escalasse uma enorme, talvez infinita, montanha. Eu sou uma pessoa inquieta; acho que é a inquietude do artista, daquele que cria, e também do buscador espiritual. Vejo esta inquietude em quase todas as áreas da minha vida, pois ela é a mola propulsora que move o meu ser. Para mim esta inquietude é sinônimo de busca. Não busco porque sou inquieta, sou inquieta porque busco.

Por mais que minha vida pareça calma e por mais que eu seja uma pessoa feliz, estou sempre buscando, e talvez por isto que  eu seja feliz. Não é porque se está realizado dentro de várias áreas de nossas vidas que não podemos estar buscando dentro dessas realizações. Claro que podemos. E é assim que a busca se dá, tanto para aqueles que estão realizados, quanto para os que não estão. E talvez esses que não estejam, seja, exatamente, porque ainda não perceberam que a grande realização é a busca, sempre…  Infinita, incessante, eterna busca.

 

Por Anna Leão (Favor mencionar fonte e autoria ao reproduzir este texto).

Nota: artigo publicado originalmente em 16 de agosto de 2011, no blog Metamorfose.

Os milagres da vida

Os milagres da vida

A vida é um milagre, já sabemos disto. Mas será que sabemos que ela opera milagres o tempo todo, a cada dia? Muitos não percebem isto. Muitos não conseguem se abrir para olhar além da rotina de seus afazeres, da pressa deste mundo estressante. Mundo estressante porque nós mesmos o fazemos assim, o criamos assim.

Mas os milagres da vida continuam acontecendo mesmo que não olhemos para eles. Acontecem ao nosso lado, com o nosso amigo, nosso vizinho, e pode acontecer conosco se começarmos a olhar a  vida e o Universo com maior confiança e amplitude. Esses milagres podem ser chamados de magia. Milagre é magia. É a magia realizada, e nós podemos fazer mágica, todos nós.

“Como fazer esta mágica, então?” – Você deve estar se perguntando. E eu respondo que é simples. Aliás, a simplicidade está como base das coisas mais poderosas. Porém, você precisa tirar camadas de complexidade que colocou em você mesmo e na vida, para poder ter certeza de que você, junto com ela, pode fazer mágica. Você, junto com a vida, pode operar milagres!

Coisas incríveis podem acontecer conosco. O que julgávamos perdido pode ser encontrado, em qualquer nível, em qualquer situação. Mas se nós não acreditamos que temos essa capacidade e que a vida pode nos dar um presente, realmente, as coisas continuarão como estão, e acharemos que esses milagres, que essa mágica, só existe em filmes e livros.

A vida pode nos dar um presente sim, aliás, ela pode nos dar vários presentes. Se vivenciarmos cada dia como a possibilidade de um milagre, estaremos conectados com a magia do Universo que também reside em nós. Nossa força de fazer acontecer é imensa e é pena que a maioria das pessoas não tenha consciência disto. E não precisa pensar: “Que bom que a maioria não tem esta consciência, pois assim o mal estaria ganhando mais terreno”. Não se preocupe com isto, pois esta magia a qual me refiro, estes milagres que a vida opera, não estão atrelados ao mal e nem se quer tomam conhecimento dele. Falo de algo muito elevado, e neste nível não entra nada negativo. É com a força do amor e da luz que estes milagres acontecem, e eles habitam dentro de nós também.

Para começar a fazer magia você precisa mudar a forma com que encara a vida. Deixe traumas, sofrimentos e padrões negativos para trás. Eles já foram. Sei que não é fácil, mas procure encarar a vida com mais confiança e receba de braços abertos as oportunidades que ela lhe traz. Não deixe o medo, a desesperança e as defesas ganharem desta vez. Se permita a fazer diferente, se permita a ser feliz por completo. Pare de achar que a vida não gosta de você, pois ela gosta sim. Talvez você que não esteja sabendo ter um bom relacionamento com ela. Talvez você que não esteja inteiro nela, com ela.

Olhe para frente, olhe para o que você pode fazer. Pense na vida em sua plenitude, e enxergue o poder e o amor dentro de você… Os milagres começarão a acontecer.

Por Anna Leão (Favor mencionar autoria e fonte ao reproduzir este artigo).

Nota: artigo publicado originalmente em 26 de fevereiro de 2013.

Deixar Fluir…

Deixar Fluir…

 Quantas vezes não estamos querendo controlar tudo? Controlar os acontecimentos, as situações, os outros, os nossos estados de espírito, pensamentos e emoções… É essa necessidade de controle do homem moderno que gera a infelicidade, a ansiedade, a inquietude e a perda de oportunidades felizes. Precisamos aprender a deixar fluir, a não controlar, a darmos espaço para as energias do Universo  dançarem ao nosso favor.

Uma pessoa quer muito uma coisa, não para de pensar naquilo. No momento esperado o fato não se concretiza e a pessoa, então, fica amuada, mal humorada, irritada. Não consegue perceber que logo ao lado o Universo lhe trouxe uma boa surpresa, o inesperado, numa situação que traria à pessoa mais felicidade. Mas ela não está aberta para receber, se fechou no sentimento negativo de que as coisas não deram certo, que nada saiu como o planejado. Aliás, este é o grande problema, estamos sempre planejando tudo. Ah! Isso serve para mim também, pois eu adoro pegar minha agenda e planejar a semana. Adoro fazer listas também, mesmo que já esteja com tudo na cabeça. Como dizia John Lennon: ” A vida é aquilo que acontece enquanto você está fazendo planos”. Mas a questão aqui não é nem tanto esta, você pode até planejar, fazer planos, mas não fique mal se as coisas não saem como você quer. Não queira controlar tudo; é como nosso amigo diz, a vida acontece!

De modo algum o que estou falando aqui tem a ver com resignação ou destino predeterminado. Você pode e deve ser sim dono da sua vida, ter seus objetivos e tentar alcançá-los. Mas precisa estar aberto para perceber as oportunidades que chegam até você. É confiar numa força maior que rege o Universo. Quando você está em sintonia com ela, as coisas fluem naturalmente para o seu bem, mesmo que pareça o contrário. Vou dar um exemplo de uma situação corriqueira que aconteceu comigo. Uma ocasião eu estava longe de casa, cansada, com fome, acabara de dar uma aula de consciência corporal e estava doida para chegar em casa. Quando fui chegando ao ponto do ônibus ele foi passando e não parou. Só tinha um ônibus que servia para mim e ele não costumava passar com muita frequência. No primeiro momento, tive o ímpeto de me rebelar e lamentar, mas me toquei e pensei: “Não era para eu pegar esse ônibus”. Senti um alívio e fiquei tranquila esperando o próximo que – ao contrário do provável – não demorou muito. A certa altura, quando já estava no ônibus, passamos por aquele que eu havia perdido. Ele estava parado e quebrado. Os passageiros se encontravam em pé na rua e assim foram, quando embarcaram no veículo em que eu estava.

Deixar fluir é estar em sintonia com a magia do Universo, pois tudo está ligado. Tudo faz parte de uma grande teia energética, por mais que você pense que não. Deixar fluir e não controlar é estar centrado, sereno e em paz, sem deixar de estar entusiasmado e apaixonado pela vida. Em compensação, você não tem sentimentos nocivos como a ansiedade, a preocupação, a irritação e o mau humor.

O excesso de controle é fruto de uma sociedade que incentiva o poder a qualquer preço. O que gera a ambição, a violência, o individualismo e a competição desenfreada entre seres que deveriam se ajudar mutuamente. Queremos controlar para termos poder, poder sobre tudo e todos, mas isso é uma ilusão, pois o que acontece é exatamente o contrário. Nós nos escravizamos agindo assim, ficamos escravos do nosso ego e nos tornamos cada vez mais egocêntricos. Já o deixar fluir nos coloca mais em contato com a nossa essência e com a nossa intuição, uma postura bem mais desapegada e sábia, além de nos deixar mais conectados com as energias criadoras do Universo.

Outro motivo para o controle é a necessidade de segurança. Quando podemos controlar temos a falsa ideia de segurança, achamos que não nos deparamos com imprevistos. Mas o imprevisível faz parte da vida e, se formos pensar bem, é ele que dá graça a ela. Precisamos nos abrir para o mistério, para o inesperado. Precisamos ser mais aventureiros e nos deliciarmos com isso. A segurança não existe, ela é uma ilusão, a qualquer momento tudo pode ruir, por mais “seguro” que você esteja. Quanto mais nos apegamos às coisas, mais intranquilos ficamos.

Deixar fluir é confiar na vida e em si. É confiar na abundância do Universo e no fato de que você é merecedor de suas dádivas. Estas que podem te trazer experiências maravilhosas, que você jamais ousou, ou, simplesmente, te permitir levar uma vida tranquila e agradável; é só você estar aberto e se alinhar com o fluxo dos acontecimentos.

Deixar fluir é também respeitar o fluxo e o refluxo dos sentimentos, dos relacionamentos e da própria vida. Deixar fluir precisa de atenção, já que estamos tão robotizados e programados para controlarmos tudo. No começo pode ser difícil, para mim, para você. Mas com o hábito (e acho que tudo é uma questão de hábito, o que faz com que devamos ficar mais atentos ainda) vamos pegando o jeito, percebendo a leveza e o bem estar que esta postura nos traz. É claro que existem recaídas, até porque a pressão do entorno é muito grande, mas tornemos a nos levantar e deixemos fluir…

Por Anna Leão.  (Favor mencionar a fonte e autoria ao reproduzir este texto).

Nota: Artigo publicado originalmente  em seu blog Metamorfose, em 12 de março de 2008.