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O poder da faxina

Era época de lua cheia e eu havia tirado uma tarde para fazer uma faxina no quarto da minha filha mais nova.

Foi daquelas faxinas de entrar nos armários, colocar tudo para fora e fazer uma triagem. Jogar muita coisa fora, separar muita coisa para dar, tentar abrir alguns espaços…

É algo cansativo, que nunca se acaba no mesmo dia, sempre fica um pouco para depois. Enquanto fazemos esta arrumação, nos sentimos pesados, exaustos, presos numa energia caótica de tanta bagunça. Mas quando conseguimos limpar um pouco e visualizamos o cômodo já um pouco mais arrumado, mesmo que ainda não completamente, sentimos outra energia.

Sentimo-nos mais leves, mais centrados. Captamos uma energia livre no ambiente. A sensação de peso vai embora, dando lugar a uma sensação de renovação, no ambiente e em nós mesmos.

Naturalmente, como um insight, comecei a fazer uma analogia com nossas crenças e padrões comportamentais. Dentro destes padrões estão as crenças, tão fortes e arraigadas, mesmo quando não as percebemos, e acho que exatamente por isto.

Naqueles dias entrei muito em contato com algumas crenças “pessoais”, que na verdade não me diziam muito respeito. E no processo da faxina do quarto de minha filha, me vi sendo purificada também de crenças obsoletas e impróprias em mim. Vi-me faxinando também a minha mente, o meu ser, de coisas velhas, ultrapassadas, que inconscientemente me foram impostas sem o meu conhecimento e consentimento.

E acho que este é o grande problema. Quando temos crenças que não foram assumidas por nós de livre e espontânea vontade, e sim, impostas pelo externo. Como o vestido que você ganha, não gosta, nunca usou, mas não pode abrir mão dele porque foi seu avô quem lhe deu, por exemplo.

Sempre faço um ritual para a lua cheia. Naquela ocasião não consegui fazê-lo de tantas informações novas e importantes que surpreendiam algumas crenças impostas e ingênuas que ainda me pertenciam. Eu não estava com a energia propícia para realizar um ritual, pois a mente estava a mil. E quesito básico para um trabalho mágico é a mente serena e concentrada.

Eu me programei, então, para fazer o ritual no dia seguinte, e, novamente, não o fiz, pelo menos da forma esperada. Porque depois de toda aquela faxina, senti que realizei meu ritual de outra maneira. Uma maneira tão mágica quanto a que costumo realizar todo mês.

Energia existe em toda parte e em tudo. O simbolismo está no ar. As correspondências existem. O exterior é reflexo do interior. E podemos melhorar o interno através do externo e, com certeza, vice-versa. É por tudo isto que existem os rituais. E é por tudo isto que eles funcionam!

Anna Leão (favor mencionar autoria e fonte ao reproduzir este artigo)

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