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A Síndrome Bipolar

Um amigo, muito querido, tem postado em seu espaço na internet frases sobre o que é ser um bipolar.

Como o nosso relacionamento é um tanto o quanto bipolar, ainda não tive a oportunidade de conversar com ele e saber se está se referindo a alguém ou a si próprio. Bem, falando sério, todo este enfoque dado por meu amigo à síndrome bipolar fez-me refletir bastante, o que deu origem a este artigo. 

O termo bipolar virou um jargão não só na medicina comportamental, como na boca dos mais modernos. Substituindo o antigo e não tão famoso boderline – da mesma família, isto se não for quase o mesmo distúrbio – o bipolar é o nome da moda. Triste isto!

Em uma das frases meu amigo diz que o bipolar é aquele que muda de estado de ânimo de uma hora para a outra sem motivo aparente. Correto. Esta é a descrição do bipolar. Não sou da área médica, mas sou da área terapêutica. Trabalho e vivencio terapias mais alternativas – por isto, mais holísticas, dentro deste mundo tão compartimentado – e tenho uma espiritualidade que não está isolada de minha filosofia de vida e ações. Sei que existem casos sérios, de depressão, TOC, esquizofrenia, e tantos outros distúrbios psíquicos. 

Porém, o bipolar é o distúrbio do momento (assim como o stress e a TPM), gerados pela falta de respeito consigo mesmo imposta por um mundo ditador, imperativo, capitalista e competitivo ao extremo, além de controlador. O mundo está neurótico, as pessoas, idem.

Lembro-me de alguns anos atrás, quando “estourou” a síndrome do bipolar, de uma amiga me dizendo numa conversa: “Anna, todo mundo é bipolar.” Sim, amiga, todo mundo é bipolar. Concordo. O que acontece, e é onde quero chegar com este artigo, é que o que é visto como bipolar, é uma desesperada tentativa em poder ser e viver de acordo com os nossos próprios ciclos.

Desde muito, muito tempo, e cada vez mais, vivemos num mundo linear, extremamente racional e controlador, que proclama que tudo e todos devem ser constantes, rígidos e fixos. Um mundo que condena as mudanças – por isto tanta gente ter medo delas – , um mundo que não percebe, ou não quer perceber, os fluxos e refluxos da vida, dos sentimentos, das emoções, de tudo. Esta errônea visão de segurança baseada no estático é completamente contrária à natureza humana. Tudo no mundo tem seus ciclos, não só a Mãe Natureza, como nossas emoções, corpos, estados de espírito, relações. 

Somos reflexos de uma Natureza maior e assim como ela temos nossos ciclos anuais, mensais e diários. Isto não é uma fraqueza, pelo contrário, isto é a vida, a existência, que estão em constante movimento. Não somos desequilibrados porque não agimos e sentimos sempre da mesma maneira. As relações, por exemplo, estão sempre se transformando. Quando amamos alguém, por maior que seja este amor, não estamos todo o dia sentindo este sentimento da mesma forma e intensidade, e isto é natural, e o natural é saudável.

A síndrome bipolar pode ser uma das maneiras que a natureza de um ser humano encontra para avisar que há algo errado. Mas, ao meu ver, muitas vezes ela é um diagnóstico baseado nos padrões vigentes sociais de dominação e controle do indivíduo.

Para sermos de fato saudáveis mental e emocionalmente precisamos conhecer, respeitar e vivenciar nossos próprios ciclos, mesmo que isto não esteja de acordo com os padrões sociais impostos e aprovações externas. Muitas vezes este processo nos leva a mudanças de estilo de vida, de cidade e de trabalho. Isto acontece quando começamos a ser mais fieis a nossa própria natureza e percebemos inviável a permanência de algumas situações.

Muitas pessoas que sofriam de stress mudaram seus estilos de vida drasticamente respeitando seus ditames essenciais em vez dos sociais. Algumas mulheres que sofriam de TPM, buscando a cura, encontraram terapias que as fizeram se reconectar com os seu feminino sagrado e respeitar seu período menstrual, mesmo quando o mundo capitalista, consumista e patriarcal exige da mulher uma postura masculina a fim de ter as mesmas oportunidades dos homens.

A força da Natureza é muito grande, a força de nossa própria natureza também e, gostando ou não, elas estão interligadas. Não há como querer desconectar do ser natural que somos, estamos em constante movimento, ou pelo menos seria para ser assim. Não é para ser instável, mas também não é para cristalizar. O que podemos achar que é solidez, pode ser uma incrível estagnação. O que podemos pensar ser instabilidade, pode ser uma constante saudável de nossos fluxos e refluxos. Procuremos dentro e não fora, para podermos nos encontrar e sermos nós mesmos, independente do que queremos ou querem que sejamos.

Para deixar de nos sentirmos uns enfermos da sociedade o passo é nos conhecermos e nos respeitarmos; não nos sentirmos vítimas, nem carregarmos culpas; nos reconectarmos com a natureza externa e interna; abrir mão de expectativas sobre nós mesmos (internas ou externas); começarmos um processo infindável, porém enriquecedor, de autoconhecimento. Tudo isto de uma forma holística, generosa e sem cobrança. 

Anna Leão(Favor mencionar autoria e fonte ao reproduzir este texto)

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