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A eterna busca

Há alguns anos eu reencontrei um amigo que não via há muito tempo. Depois de algumas conversas, ele me disse que me via sempre numa busca, que parecia que eu estava sempre buscando algo. Eu disse a ele que no dia em que não houvesse mais esta busca, não haveria mais porque existir. Mais recentemente, conversando com outro amigo, esse também me falou de busca; da sua busca pessoal, que ele não sabe do quê, mas que é o que o move incessantemente.

Essa busca, a meu ver, é algo constante. Ela significa vida, movimento, evolução. Acredito que ela possa se manifestar em qualquer área de nossas vidas, mas ela vem sempre de dentro, de nosso interior, talvez de nossa alma. Ela é uma pulsação que não cessa. É um chamado que nos leva a um passo a frente. É uma inquietude saudável, que nos dá prazer e a certeza de que estamos vivos. Ela é a promessa de que há bem mais para desbravar, para descobrir, para assimilar.

No meu caso, eu me sinto sempre como se estivesse subindo uma escada, ou descendo. É como se eu adentrasse um labirinto, ou escalasse uma enorme, talvez infinita, montanha. Eu sou uma pessoa inquieta; acho que é a inquietude do artista, daquele que cria, e também do buscador espiritual. Vejo esta inquietude em quase todas as áreas da minha vida, pois ela é a mola propulsora que move o meu ser. Para mim esta inquietude é sinônimo de busca. Não busco porque sou inquieta, sou inquieta porque busco.

Por mais que minha vida pareça calma e por mais que eu seja uma pessoa feliz, estou sempre buscando, e talvez por isto que  eu seja feliz. Não é porque se está realizado dentro de várias áreas de nossas vidas que não podemos estar buscando dentro dessas realizações. Claro que podemos. E é assim que a busca se dá, tanto para aqueles que estão realizados, quanto para os que não estão. E talvez esses que não estejam, seja, exatamente, porque ainda não perceberam que a grande realização é a busca, sempre…  Infinita, incessante, eterna busca.

Por Anna Leão (Favor mencionar fonte e autoria ao reproduzir este artigo).

Nota: artigo publicado originalmente em 16 de agosto de 2011, no blog Metamorfose.

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