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Idealismo x quebra de padrões

Muito já falei em meus textos sobre quebra de padrões. Quem me acompanha desde  março de 2008, no blog Metamorfose, já deve ter lido vários textos meus sobre o assunto. Idealismo também é um tema que permeia meus artigos, pois me permeia. Sempre me coloco como uma pessoa muito idealista, e realmente sou. Porém, tenho percebido, ultimamente, o quanto devemos tomar cuidado com o nosso idealismo no sentido de não percebermos quando estamos presos a padrões que devem ser quebrados, pois não nos fazem chegar a lugar nenhum em vários níveis.

Tenho tido muitos insights ultimamente. Esse despertar interno, podemos chamar assim, me faz rever muitos posicionamentos meus, até mesmo de estilo de vida. Não dá para sermos idealistas a lá Dom Quixote! Temos que empenhar o nosso ideal no mundo real, e não ficarmos esperando que um milagre aconteça e venha nos salvar, ou fazer com que tudo aconteça como queremos.

Percebo que quebrar padrões é muito mais do que eu imaginava. Não é só deixar de ter medo de algo, ou desenvolver uma maior autoconfiança. Isto todo mundo quer. E a maioria vai se esforçar para isto, ou para obter qualquer qualidade que vá ajudar na sua vida e no seu viver. Quebrar padrões é verdadeiramente deixarmos ideais de lado quando vemos que eles não correspondem à realidade.  É fazer, e não esperar. Como dizia nosso Geraldo Vandré em seu lindo hino: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.”

Quando se fala em quebrar padrões, fala-se muito em romper com crenças obsoletas e comportamentos velhos e desgastados. Percebo que muitas dessas crenças obsoletas contém muitos ideais, ou pelo menos, formas enraizadas e rígidas de ideais e de perseguir esses ideais. Não é para não querermos mais nossa vida ou o mundo como queríamos, não é para deixarmos de acreditar no que acreditamos, mas devemos mudar esta forma de querer e de acreditar. Se não, podemos cair na ilusão, na passividade, no radicalismo. Podemos deixar passar nossa vida esperando a concretização de nossos ideais, se recusarmos a fazer diferente, a experimentar, a descobrir novos potenciais e formas de encarar a realidade. Pois muitas vezes  a realidade está nos mostrando que não dá para ser do jeito que queremos, mas continuamos teimosos, baseados em nossos ideais, e, com isto, nos fechamos para a  verdadeira transformação.

Muitas vezes os nossos ideais podem ser postos em prática de outra forma. E é isto que precisamos perceber. Perceber quando estamos dando murro em ponta de faca e não vendo outra alternativa, que a princípio pode até parecer o oposto de nossos ideais, mas será ali que iremos nos realizar. Sabe por quê? Porque é ali que estaremos agindo e vendo resultados concretos. E aí perceberemos que há outras maneiras de trazer o Céu para a Terra, talvez de uma forma não tão glamourosa, e sim, mais árdua e desafiadora e, talvez por isso mesmo, mais compensadora.

A quebra de padrões é profunda e realmente significativa quando nos deixamos morrer para podermos renascer. É pensarmos de uma forma que nunca imaginamos pensar, é mudar completamente o nosso estilo de vida, ou mesmo o nosso cotidiano. Tudo isto em conexão com a verdadeira realidade. Quebrar padrões é colocar os pés no chão, ou a cabeça nas nuvens, vai depender da pessoa.

Quantas vezes, ao nos conscientizarmos da necessidade de uma grande mudança em nós, esbarrando nos primeiros fracassos,  logo racionalizamos: “Ah, está vendo, não tinha que ser assim mesmo… É mesmo para eu não fazer isto…”. Pensamos isto e deixamos o padrão antigo vencer. Pensamos que era o fluxo da vida mostrando que não era para mudar, que estaríamos nos desviando de nosso destino ou objetivo… Não! Estamos aqui para nos superarmos, para nos transformarmos. Isto é crescer, é evoluir. Se a ideia lhe ocorreu, se algo dentro de você gritou mais alto, nem que apenas uma vez, e você se deslumbrou com a possibilidade, mesmo que logo depois tenha achado uma loucura,  não importa, um novo caminho foi mostrado, um novo você quis se revelar! Mas lembre-se: você precisa ter se entusiasmado de fato com a ideia, nem que em apenas um momento. Se seu coração em nenhum instante pulsou de alegria com ela, descarte-a, provavelmente a ideia não foi sua.

Os padrões antigos querem ficar, imagina quanto tempo estiveram com a gente. A força do hábito também é muito forte. Mas muitas vezes os fracassos iniciais são testes para nos mostrar se conseguiremos vencer os antigos padrões, se conseguiremos nos superar e nos metamorfosear. Pensemos bem, a lagarta não é nada parecida com a borboleta. São seres completamente distintos, mas “são” o mesmo ser.

“E quando devo quebrar padrões?” – você pode me questionar. Eu lhe respondo com uma lista de respostas: quando sua vida está exigindo isto (você sente, mesmo que não queira); quando você não se sente bem, produtiva, inteira; quando as coisas não estão como você gostaria; quando você sente que tem algo faltando; quando há uma inquietação interna, mesmo que aparentemente esteja tudo nos eixos; quando você está há  muito tempo tentando, tentando, tentando, e nada, continua insatisfeita, sem alcançar o grande objetivo;  quando… Bem, você no fundo vai saber.

Por Anna Leão (Favor mencionar a fonte e autoria ao reproduzir este texto).

 
 

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