Poema

Rasgados profanos

Meus traços marcados, meus lábios rachados
Não conseguem pronunciar mais o teu nome
Quero me encantar novamente
Mas os sulcos em minha face parecem não permitir
Olhe para mim e me diga o que tu vês
Eu mesma já não vejo nada quando olho no espelho empoeirado
E como poeira do deserto sinto-me perdida e fragmentada dentro do meu próprio ser
Já não bastam mais as palavras
Já não bastam mais os holofotes sobre mim
O que eu quero eu não sei
Só sei que me perdi no tempo
Me perdi de tudo em que me havia fixado
Serei eu já uma anciã ou um bebê pronto para nascer?
Não sei o que tu pensas
Só sei que o amor por ti findou
E hoje, não mais menina, me sinto só e sem esperança.
Não me afaste da dor
Pois ela me ajuda neste momento
Pelo menos tenho algo a me agarrar
Algo para abraçar
Mas virá o dia em que nem mesmo ela eu terei
Então estarei pronta para largar a tua mão e sair sozinha
Subir as montanhas
Mergulhar nos lagos
Voar com os pássaros
Visitar o sol e a lua
Neste dia poderei estar plena
Pois hoje o que me resta é apenas a tua lembrança.
Tento sorrir mas não consigo
Tento chorar e não há lágrimas
Fico perplexa olhando da janela o mar calmo que me consola
Um dia terei outra fisionomia
Um dia terei outra moradia
E quem sabe, então, poderei ser mais feliz…
Anna Leão. Todos os direitos reservados. (favor mencionar autoria e fonte ao reproduzir este poema)

 

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