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Tolerância

Há algum tempo escrevi um artigo sobre a paciência. Hoje vou falar da tolerância, amiga-irmã desta outra virtude. Sim, porque ambas são grandes virtudes, infelizmente perdidas no tempo.

 
Mesmo assim muita gente ainda prega a tolerância, e temos visto isto acontecer muito em relação ao preconceito. Mas não ter preconceito não é ser tolerante. Não ter preconceito é aceitar e não tolerar. Mesmo que não sejamos, sintamos ou pensemos como o outro, nós o aceitamos, isto é não ter preconceito.
 
Tolerar requer um esforço maior do que aceitar. Tolerar é exatamente não aceitar, não concordar, mas apesar disto, respeitar. Respeitar o ponto de vista do outro, a forma dele agir, a forma dele ser, mesmo que não concordemos com ela. E assim como temos direito a nossa própria individualidade – onde estão contidos nossos pensamentos, sentimentos, ações e personalidade – o outro também tem direito a ela.
 
É claro que quando há um choque de valores a questão fica muito mais delicada, e realmente é quase impossível a tolerância. Mas se pararmos para pensar bem, veremos que sempre há motivos, justificativas, e pontos de vistas que devem ser respeitados.
 
Saindo desta questão delicada que é o choque de valores, vejo hoje em dia a intolerância atuar em coisas pequenas, como por exemplo, em relação à diferença de opiniões. Aceitar o outro, a diferença, é no mínimo tolerar que ele tenha opiniões diferentes da nossa.
É neste momento que a arrogância se instala fruto de um egocentrismo muitas vezes imperceptível para a própria pessoa, quando esta nega a veracidade e opinião genuína do outro só porque não é igual a sua, muitas vezes negando o outro, renegando-o ao esquecimento ou brigando com ele.
 
A maioria das crianças é egocêntrica, não de uma forma vil ou perversa, mas porque faz parte de seu processo de amadurecimento e construção da personalidade. Agora, adultos agindo como crianças, mostram o quanto de lacunas ainda não preenchidas existem neles ao não conseguirem tolerar uma opinião diferente.
Sentem a divergência como uma afronta a eles, como algo extremamente pessoal, tudo isto fruto de seu egocentrismo ou complexos mal resolvidos, enquanto o outro estava apenas se expressando.
 
É claro que ninguém quer desrespeito, e isto ninguém pode tolerar, até porque o desrespeito já é uma falta de tolerância do outro para conosco. Ninguém também deve tolerar maus tratos.  Mas quando não há maldade, quando o que há é apenas o direito do outro de ser e se expressar, devemos, sim, se não compreender ou aceitar, pelo menos, tolerar.

 

Muitas relações são desfeitas pela intolerância, muitos grupos acabam pela falta da tolerância, muito é perdido pela falta desta virtude tão importante e sábia, pois é ela que permite a convivência harmoniosa das diferenças.

 
Anna Leão. Todos os direitos reservados.

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